O Presépio do Pipiripau e independência financeira

Por que você quer independência financeira?

“Porque aí eu vou poder…”
Essa é segunda razão mais comum que eu já vi, tanto em conversas com pessoas e clientes como em entrevistas e material disponível na internet.

A primeira é “parar de trabalhar”.
Justo.
Mas dá uma ideia errada do que a independência financeira- que a partir de agora chamo de IF- permite.

IF não permite apenas que você pare de trabalhar, e sim que você trabalhe em algo sem a necessidade de um salário fixo.

Essa percepção sozinha, sem contexto, também pode gerar a motivação errada. Faz as pessoas pensarem no sonho. “Eu tenho um sonho…”. “Quando eu atingir a independência financeira…”. “Quando eu me aposentar…”

Mas, se é um sonho, porque esperar atingir IF? Por que não agora?

Se não agora, quando?

O que é o Pipiripau?

“No final tem um trovão, cuidado!”

Esse é o aviso que nos é dado pela equipe que administra o Presépio do Piripau, localizado no Museu de História Natural da UFMG em Belo Horizonte, quando vamos assistir a uma sessão.

O presépio consiste de 586 figuras fixas e móveis, que formam 45 cenas que, de alguma forma, contam a história de Jesus Cristo em meio a pontos notáveis de Belo Horizonte e fatos da vida de seu construtor, o senhor Raimundo Machado.

https://www.ufmg.br/mhnjb/exposicao/presepio-pipiripau/

Sua construção começou em 1906. Seu Raimundo comprou uma imagem do menino Jesus em baquelite, e enfeitou-a. Seu Raimundo tinha então 12 anos de idade, e se envergonhou porque era uma peça barata e o adorno era feio. Sua mãe pediu para que Raimundo colocasse a peça na principal mesa da casa. Era bonita e merecia destaque.

Desta semente, deste incentivo, seu Raimundo trabalhou no presépio por toda a sua vida. Em sua vida profissional, trabalhou com tornos mecânicos, motores a vapor, equipamentos hidráulicos, e aplicou tudo que aprendeu na construção do presépio.

Seu Raimundo não era o que eu e você talvez chamemos de artista. Usava cacos de vidro, bocais de lâmpada, chaves, xícaras quebradas e o que mais achasse pela rua ou em casa que pudesse ter algum uso. Porém sua dedicação incentivou sua família e os colegas a sua volta a ajudá-lo com o desenvolvimento e com a manutenção do presépio.

O Presépio do Pipiripau evetualmente foi tombado e hoje faz parte do patrimônio histórico e cultural de Minas Gerais.

Seu Raimundo morreu em 1988 e trabalhou no presépio até o fim dos seus dias.

https://ufmg.br/comunicacao/eventos/exposicao-virtual-homenageia-criador-do-presepio-do-pipiripau

Se não agora quando?

A construção do Presépio do Pipiripau levou 82 anos, da primeira figura de baquelite até o complexo e intricado sistema de gambiarras exponenciais que hoje lhe dá vida.

https://www.ufmg.br/mhnjb/exposicao/presepio-pipiripau/


O processo de construção, contou não só com múltiplas pessoas, assim como com o conhecimento acumulado do seu Raimundo. “A máquina”- como os curadores a chamam – passou por constante teste, refino, quebra, manutenção, substituição, e melhoramento das suas peças e dos seus mecanismos.

Isso só foi possível porque seu Raimundo começou agora.

O agora de 1906. O agora de 12 anos de idade.

Qual seria a chance que nós teríamos de ver essa maravilha da cultura brasileira (deixe seus julgamentos sobre mérito em Atenas por favor), se seu Raimundo tivesse começado após a aposentadoria? Teríamos máquina? Teríamos presépio? Quando ele teria refinado o processo? Como ele teria aprendido com os erros e aplicado as lições? Como sua família teria ajudado-o costurando as roupas das diferentes figuras, coletando chumbo e lixando madeira?

Se seu Raimundo tivesse pensado “Quando eu aposentar…”, “Porque aí eu vou poder…”, não teríamos o Presépio do Pipiripau.

Esperar a IF para fazer algo é uma ilusão. O que você pensa em fazer quando atingir IF deve ser feito, ou pelo menos começado, agora.

Experimentalismo

Eu sei que você não tem tempo. Não tem dinheiro. Não tem saco. Não tem alguma coisa.

Embarca, trabalha, é velha, é doente, tem filhos, paga contas, a vida é corrida, os sogros, a internet, as desculpas…

Mas ninguém está exigindo de você máxima performance. Nem total eficácia.

Se existe algo que você quer fazer após atingir a IF, e isso deve existir, comece agora com experimentos.

Eu sabia que após a IF, de alguma forma eu queria trabalhar com o mercado financeiro. De qualquer forma. Então, ainda trabalhando embarcado, tirei minhas primeiras certificações financeiras e comecei a estudar o assunto e a desenvolver minha filosofia para atender pessoas, manifestando o que eu já vinha fazendo com sucesso com o meu portfolio pessoal. Ajudei algumas pessoas da família, alguns colegas dos navios. As primeiras figuras de baquelite com os adornos feios.

Isso é essencial até mesmo para medirmos o quanto estamos dispostos.

A realidade é que parar de trabalhar, parar de embarcar, é o ouro dos tolos. Reluz, mas não vale nada. Logo, você estará com sede de produção, sede por ser útil. Você é um ser humano. Está no seu ADN.

A IF só tem valor enquanto te permitir debruçar sobre o que você pode fazer com o tempo, e se você almeja algo quando chegar lá, então vale a pena fazer isso agora, da melhor forma que você pode fazer, mesmo que seja a pior forma de fazê-lo.

Quer ser escultor? Nada te impede de comprar um faca de entalhe, formão, matelo e começar.
Quer fazer outra faculdade? Nada te impede de começar a ler os livros didáticos do assunto.
Quer ser uma escritora? Se você tem um computador, tem uma plataforma completa.
Quer se tornar músico? Gaitas são pequenas e portáteis.

Faça pequenos experimentos, e vá refinando suas convicções, suas habilidades, seus desejos.

Todos nós precisamos de começar do primeiro boneco de baquelite e seguir em frente por anos, atravessando todas as dificuldades que o mundo nos oferece naturalmente.

Estamos ávidos pelo que você nos tem a oferecer.

Nós queremos ouvir o seu trovão.

Toda semana receba o Relatório RP com táticas para você aplicar na sua viagem rumo à independência financeira.

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